Perturbações ou transtornos de neurodesenvolvimentos, são condições neurobiológicas, de origem precoce, ainda na infância, que afetam o funcionamento cerebral, impactando áreas como cognição, comunicação, comportamento e coordenação motora.
Nesse universo complexo do desenvolvimento infantil, o diagnóstico de TEA – Transtorno do Espectro Autista e TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, pode parecer um “farol”, oferecendo compreensão e direcionamento.
No entanto, a busca por respostas rápidas, assim como a banalização de certos comportamentos, pode levar a rótulos precoces, com consequências significativas para o futuro de uma criança.
Especialistas no assunto, como: psicólogos, neuropsicólogos, psiquiatras, neurologistas, nutricionistas e outros, todos com vasta experiência em transtornos do neurodesenvolvimento, alertam sobre a importância de um diagnóstico responsável.

 

A Importância da base é indispensável

Atualmente, vemos muitas informações circulando em redes sociais e até mesmo testes rápidos, com checklists de comportamentos com hipóteses diagnósticas,
mas antes de sugerir qualquer diagnóstico, é importante entender que especialistas precisam ser consultados, o diagnóstico é multiprofissional e pode levar bastante tempo.
Considere também aspectos naturais do neurodesenvolvimento infantil, ou seja, alguns comportamentos que são considerados sintomas, na verdade são esperados para determinadas fases da infância, como o descontrole ou rigidez emocional, por exemplo.
A rotina dessa criança também é muito relevante! Quanto tempo ela fica exposta ao celular, TV e computador? Ela possui oportunidades de contato com a natureza? Convive com outras crianças? Como é a qualidade do sono e alimentação? Os horários de rotina estão bem estabelecidos? Tudo isso pode gerar comportamentos sugestivos de transtornos, mascarando a verdadeira causa do problema.
O profissional deve avaliar o contexto da criança, entre o que é atípico, e o que são hábitos inadequados, rotina e histórico familiar, antes de considerar um diagnóstico de TDAH ou autismo. Tão importante quanto diagnosticar, é identificar necessidades e os adequados estímulos e suporte à criança e família.

 

Antes de buscar respostas rápidas, é fundamental investir em uma base sólida, com um olhar atento e criterioso, além de investir em uma rotina estruturada, sono de qualidade, alimentação adequada, menos tempo de tela, brincadeiras e diálogo.
Diante da complexidade do desenvolvimento infantil, é crucial que pais e profissionais, adotem uma postura cautelosa e responsável em relação aos diagnósticos. Rótulos precoces podem limitar uma criança, impedindo que ela desenvolva todo o seu potencial, ao passo que não avaliar os comportamentos sugestivos de transtorno pode postergar o tratamento adequado.
Perante esse cenário, pode-se dizer que nem tudo é autismo, e nem tudo que acontece com uma criança autista, é por causa do autismo. Mudar hábitos, rotina, interagir, impor limites e educar, é importante para qualquer criança e dá trabalho!

Um conhecido provérbio africano nos ensina que “é preciso uma aldeia inteira para criar uma criança” e a ciência já nos mostrou o quanto essa fase da vida é importante como base para tudo o que um indivíduo vai viver ao longo dos anos seguintes, então, que todos nós sejamos guardiões da infância, defensores dos direitos das crianças típicas e atípicas, para que todas elas tenham espaço para se desenvolverem plenamente, dentro de suas capacidades.